E quando o tédio bater... Escreva!
Escreva mesmo, ainda que você ache que não saiba escrever.
Escrever é uma graça de Deus, porém, poucos se dão conta disso. Nos tempos antigos, lá nas origens do mundo, o homem tinha anseio de poder arquivar seus conhecimentos para a posteridade. Ele queria se imortalizar, de alguma forma, queria garantir a continuidade de sua geração. E descobriu, um dia, que poderia fazê-lo através da linguagem, não exatamente a ‘escrita’, tal qual a conhecemos hoje.
A dita ‘escrita’, surge lá pelos anos de 400 a.C., porém, demorou bastante para fugir do ‘monopólio’ da camada economicamente dominante. Hoje em dia, a grande maioria das pessoas do mundo sabem escrever. E nem se dão conta que o sabem.
De vez em quando, vemos na TV matérias sobre pessoas do interior das cidades, pessoas humildes, que nunca tiveram acesso à educação formal, que estão aprendendo a ler e a escrever e se encantam com isso. “Grande coisa, ler e escrever...”, alguns diriam.
Pois é grande coisa sim!
Para quem nunca teve oportunidades de estudo é um feito saber escrever, pelo menos, o próprio nome. Todo esse encanto é pelo simples fato de conseguir imitar um código lingüístico, uma simples palavra. Parece algo bobo, mas o ato de escrever, por si só, carrega algo de mágico.
Esse ‘mágico’ da escrita consiste na beleza da subjetividade que ela pode conter. Por exemplo, uma das mais belas obras de Deus na história foi um escrito: a Bíblia. E foi dali que surgiu a minha e a sua fé. Das palavras. Da expressividade dos sagrados autores. Do simples ato de escrever.
Escrever é uma das formas mais belas de nossa expressão. E muitas pessoas só se descobrem quando descobrem o seu ‘eu escritor’, quando a sua personalidade desabrocha na tela do Word ou numa folha de caderno.
Escrever reaviva um pouco daquele brio infantil, de criança que está aprendendo a viver, da liberdade de um andar de bicicleta ou subir na velha árvore.
Escrever não tem regras, só tem começo e nunca fim. É um ato livre de nossa mente, livre para criar, para se expressar, desabafar, imaginar.
Não sou do tempo em que se escrevia diário, mas, que bom seria se a prática perdurasse. A sociedade contemporânea não gosta de escrever, não gosta de quem gosta de escrever, porque tem medo de se expressar. Tem medo das críticas, das correções, de cair nos lugares-comuns da vida.
Quem escreve, decerto, vive num outro mundo, por alguns minutos. Longe deste, que é tão cheio de pressa, de ganância, de ‘pró-atividade’ vazia. E isto é bom. Não significa esquecer a realidade, ou viver num mundo fantasioso, ou fugir dos problemas. É mais, bem mais que isso.
Eu não sabia disso há três anos, antes de começar a escrever o Cristificados. E hoje, sei que preciso olhar pra trás, para os textos antigos, relê-los para lembrar quem ainda sou.
Escrever, na verdade, é um processo de releitura de si mesmo. É se reescrever, para escrever mais alegremente a própria vida.
Portanto, quando o tédio bater, lembre-se que você possui ‘em mãos’ a habilidade para reescrever seu dia.
Passeando por umas caixas velhas, aqui em casa, vez ou outra encontro uns livros com textos, rabiscos, desenhos da minha adolescência ou infância. E, às vezes, me pergunto por que não me livrar de toda essa tralha.
A resposta é que esta ‘tralha’ algum dia, de algum modo me reescreveu e me ajudou a me tornar o que sou hoje.
E o que sou hoje?
Nada demais, mas... feliz.
Abraço, Paz e Mãos à obra, reescrevendo a vida.
Tamos ae... gigantih@hotmail.com
Escrevendo e ouvindo... Theocracy – The Writing in the Sand
“When the writing in the sand has washed away
I could never turn and walk the other way
For the words are carved into my very soul”
Raylene Alvarenga
Qua 09 Dez 2009 13:05